Para começar a falar sobre Fases do pé diabético, precisamos citar o mal que ataca a grande maioria com esse quadro: as úlceras diabéticas… umas das complicações mais comuns em pacientes. Sabemos que aproximadamente 25% dos pacientes que convivem com o diabetes terão uma úlcera ao longo de sua vida.

Este dado preocupa muitos nossos pacientes, pois sabemos que 85% das amputações dos pés são devido a úlceras que complicaram. Provavelmente por esse motivo uma das principais perguntas dos pacientes no consultório é:
Qual a fase que o meu pé está Dr? Tenho diabetes!
Mas a resposta sempre é: o pé diabético não possui fases pré-definidas. No entanto, normalmente explico ao paciente como funciona a progressão do pé diabético. Para isso, utilizamos como marcador do tempo a presença da neuropatia diabética.
Desta maneira, podemos criar duas fases do pé diabético. Isso porque as feridas por pressão crônicas originam-se quando o paciente perda a sensibilidade protetora do pé, ou seja, quando a neuropatia diabética está instalada.
Caso esteja preocupada com seu quadro ou de alguem ente querido, sugerimos o agendamento de uma consulta especializada.
Quais as fases do pé diabético?
A primeira fase do pé diabético seria quando o paciente descobre o diabetes, ou melhor, o início da diabetes. Esta fase o paciente possui sensibilidade normal dos pés e desta maneira, apresenta recomendação de uso de calçados confortáveis igual a pessoas que não convivem com o diabetes.

A segunda fase do pé diabético seria quando a neuropatia diabética começa a se instalar. Essa fase o paciente começa a perder de forma lenta e progressiva a sensibilidade protetora dos pés, ou seja, a dor ao pisar em um prego por exemplo.
Essa fase faz com que áreas de hiperpressão aumentem e gerem calos e consequentemente esses calos dão origem as feridas. Nesta fase podemos subdividi-las em outras 3 fases do pé diabético: a) Fase sem ferida / b) Fase com calo / ferida / c) Fase pós fechamento da ferida.
- Fase sem ferida: Esta fase é quando o paciente perdeu a sensibilidade protetora dos pés, mas nunca teve ferida. Ele então deve observar diariamente seus pés, realizar o autocuidado e sempre andar calçado para proteger seus pés.

- Fase com calo / ferida: Esta fase do pé diabético é indicado o uso de palmilhas com calçados mais específicos em caso dos calos e retirar a carga ou usar órteses com curativos em caso de feridas. Veja foto de exemplo.

- Fase pós fechamento da ferida: Esta fase do pé diabético necessita de muita atenção pois sabemos que aproximadamente 42% das feridas reulceram em 1 ano. Nesta fase o uso de palmilhas com o calçado adequado se torna imprescindível para tentarmos reduzir a taxa de reulceração. Nesta fase do pé diabético, muitas vezes pode ser indicada cirurgias para reduzir a pressão local da ferida. Veja foto de exemplo.

Além dessas fases feitas aqui apenas para entendimento da progressão da doença, diversas classificações já foram criadas para avaliar a gravidade do pé diabético. No entanto, pelas feridas e lesões do pé diabético serem muito distintas e variadas uma das outras, sua classificação torna-se ainda mais difícil. VEJA FOTOS DE PÉS DIABÉTICOS E DEPOIS TENTE CLASSIFICA-LAS.
A mais amplamente utilizada no mundo é a Classificação de Wagner. Esta classificação avalia a gravidade das feridas e ajuda de maneira bem simplista a guiar tratamento do pé diabético.
Classificação de Wagner
- Grau 0: Pé de risco. Sem úlcera, mas há deformidade ou calos;
- Grau 1: Úlcera superficial, apenas na pele;
- Grau 2: Úlcera profunda, atingindo tendão, osso ou cápsula articular;
- Grau 3: Úlcera profunda com infecção (osteomielite ou abscesso);
- Grau 4: Gangrena localizada (dedo ou parte do pé);
- Grau 5: Gangrena extensa do pé inteiro.

Outra classificação utilizada é a Classificação PEDIS. Esta classificação da ferida avalia de maneira separada a perfusão do pé, extensão e profundidade da lesão, presença de infecção e sensibilidade do pé. Isso faz com que a classificação PEDIS torne-se mais detalhada, no entanto mais difícil e demorada para sua realização. Muito utilizada em trabalhos científicos.
Classificação PEDIS
P: Perfusão / E: Extensão da ferida / D: Profundidade da ferida / I: Infecção / S: Sensibilidade.
A somatória de pontos de cada critério acima gera um SCORE. SCORE maior ou igual a 7 está associado a baixa taxa de cicatrização da ferida. (Fonte)
Caso queira saber sua classificação e obter o geral sobre as fases do pé diabético, clique aqui: https://www.mdcalc.com/calc/10059/pedis-score-diabetic-foot-ulcers
Especialista para lhe ajudar no quadro
Muito além de uma classificação de fase do pé diabético ou grau de sua ferida, procure sempre a ajuda de um profissional médico para o tratamento ou prevenção de feridas. Pequenas calosidades ou deformidades dos pés são muitas vezes os responsáveis pelo surgimento de feridas nos pés.

Dr. Eduardo Araujo Pires é médico ortopedista especialista em cirurgia do pé e tornozelo pela USP e dedica sua carreira no tratamento e prevenção do pé diabético. Não espere sua ferida aumentar ou aquele calo virar uma ferida.
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